amiga, 

o mundo tá um caos. não há nada lá fora que nos sustente. tá tudo tão careta, chato, parado, sem sal. meu deus, "eu só não desmaio nesse exato momento porque não tem espaço físico suficiente", mas te confesso alto, meus olhos saltam de espanto ao perceber que existe mesmo gente que se dá ao luxo de arriscar tudo. um dia ainda vou lá, coloco a cara pra fora e grito pro mundo alguma coisa insana, sabe deus o que. um dia ainda faço uma revolução, dentro de mim. mas por enquanto fico aqui do outro lado te falando as coisas que passam pela minha cabeça tão perturbada. sei lá, acho que estou ficando cada vez mais louca ou no mínimo mais bêbada. tá sendo difícil equilibrar as coisas, essa tal de lucidez. pra quê? o pior de tudo é que me sinto cheia. amor, sabe? me esvai pelos dedos. muita revolta também. indignação e desconforto. sei que um dia vai chegar a hora em que não será mais possível levar com a barriga, a alma também cansa e o corpo, inevitavelmente, reage. de forma drástica ou não. mas por agora fica essa coisa meio xoxa, nem frio e nem quente, fácil de engolir que nem papinha e você sabe que eu não gosto de nada que não tenha considerável nível de complicação. o que me maltrata é esse momento in between.

conversa que tive com a amiga, há alguns anos atrás,
depois de pensar sobre a vida e ler o blog da Cris Lisboa (grifos dela).

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